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Há décadas o fenomeno da erosão vem consumindo parte da orla da cidade
de Salvaterra sem que qualquer autoridade tome providências. Nos
últimos anos, a situação tem piorado com a omissão dos orgãos
competentes em fiscalizar a retirada crimonosa de areia e pedra das
praias próximas à cidade.
Carroceiros e caçambeiros promovem a extração em plena luz do dia aos
olhos da população. Esta ação tem agilizado o processo de erosão, já
inicialmente provocado pelas águas da maré alta e das chuvas
torrenciais, comuns nesta região. Uma rua já foi bloqueada e
propriedades inteiras já foram perdidas devido à queda dos barrancos
que avança em direção à cidade.
O perigo aumenta durante o inverno e com a chegada das águas grandes
fazendo com que as fortes ondas encubram o que ainda resta de rochedos,
chegando até as paredes desprotegidas.
A retirada da pedra deixa as paredes fragilizadas e à mercê da ação,
inclusive do vento, outro elemento natural responsável pela erosão.
A retirada da areia da orla está provocando a mudança no curso das
correntes e o deslocamento de pedras e areia de um lugar para outro
desta costa da ilha, fazendo com que algumas praias fiquem perigosas
para o banho em virtude das pedras pontiagudas próximas à margem.
A Reserva Natural do Lago Caraparú, que deságua na Praia Grande, está
ameaçada. Por um longo período do ano, seu contato com a baía fica
bloqueado por causa do depositamento de areia na sua foz, o que promove
o represamento do lago. Com a água parada por muitos dias, a vegetação
em decomposição contamina a água do lago eliminando parte das espécies
subaquáticas.
A orla de Salvatera poderia ser o grande cartão postal para o turismo
do Marajó, já que está no ponto mais privilegiado, na foz do Rio
Paracauari e na desembocadura da Baía de Marajó rumo ao oceano
Atlântico. Sua construção geraria centenas de empregos diretos e
indiretos e a sua conclusão abriria uma diversidade enorme de opções de
ocupação e geração de renda para os moradores da região.
Mas para isso alguém precisa despertar o interesse em fazer algo de
concreto, que tire o Marajó da condição de expectador do
desenvolvimento social e comercial de outras regiões do país.
Veja as imagens:
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