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Uma festa para encerrar um encontro de universitários de Letras acabou em manifestação pelas ruas de Soure, no Marajó, na última sexta-feira, quando cerca de 250 participantes do XII Encontro Paraense dos Estudantes de Letras (Epel), foram impedidos de participar da festa de encerramento do evento, que aconteceu entre os últimos dias 12 e 17. Segundo os alunos, a polícia invadiu a casa noturna Badalauê, onde acontecia a festa, e acabou com a diversão alegando que o som ultrapassava o limite permitido. No entanto, os policiais foram além. Resolveram separar homens de mulheres para uma revista sem explicações.
Segundo o secretário de organização política da Executiva Nacional dos Estudantes de Letras (Exnel), Rafael Saldanha, a polícia tentou de várias formas atrapalhar o encontro de estudantes, que já acontece em Soure há vários anos. 'Foi uma burocracia muito grande. Desde o começo a comissão organizadora soube que a Polícia Civil estaria impondo uma burocracia muito grande para a realização do encontro. Tivemos que pagar R$ 211 para fazer um programação cultural na Praia do Pesqueiro, que é um lugar público. Não sabemos para onde vai esse dinheiro. Com certeza isso deve ser dividido entre policiais e até mesmo delegados', denuncia Rafael. O estudante diz que a noite do dia 16, quando acontecia a festa de encerramento, foi de extrema arbitrariedade da polícia, que de posse de três viaturas, perseguiu e chocou os participantes do encontro. 'Foi um absurdo. Na verdade foi a prática mais evidente de preconceito e homofobia que já vimos', lamentou Rafael. A festa 'Transepel', segundo ele, reúne pessoas de diversas opções sexuais, como gays, lésbicas e bissexuais. 'Essa festa já é histórica, pois ela foi criada a partir de uma ação preconceituosa contra um estudante homossexual que sofreu homofobia durante um encontro de estudantes de Letras', justificou Rafael. REVOLTA
Depois da ação dos PMs, por volta de 1 hora, os estudantes se indignaram e partiram em passeata pelas ruas de Soure até chegarem à casa do vice-prefeito, Tobias Gonçalves, que respondia pela prefeitura da cidade. 'Fomos até a casa do vice-prefeito porque ele apoiou todo o evento e ainda esteve presente na abertura. Ele foi até a porta e conversou conosco e acabou ajudando. Só que o tempo já havia passado quando a polícia permitiu que a festa continuasse e nos recusamos a voltar', contou Rafael. Para o vice-prefeito de Soure, Tobias Gonçalves, a ação da polícia foi, de fato, arbitrária. 'Isso virou rotina em Soure. A polícia aqui só tem se preocupado em acabar com festas, mas não em dar segurança para quem vai ou sai da festa. Verificar se o som estava no padrão é um procedimento normal, mas existem outras questões que precisam ser apuradas pelo Governo. Para isso, a prefeitura deverá enviar uma carta à governadora Ana Júlia para pedir a substituição do comando', adiantou o vice-prefeito. Procurada para falar sobre o assunto, a assessoria de imprensa da Polícia Civil não se manifestou até o fechamento da edição.
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