Para franceses, Marajó é um dos melhores destinos da Amazônia PDF Imprimir E-mail

Mariluz Coelho
Especial para O LIBERAL - publicado em 26/04/2008

Belém, Algodoal e a Ilha do Marajó, roteiros da Amazônia, ganharam destaque no mais novo Guia Michelin, o Voyager Pratique Brésil, lançado no mês de março na França e apresentado à imprensa brasileira este mês, no Rio de Janeiro, pela comunicação institucional da empresa, na América do Sul. Apenas cinco jornalistas de todo país foram convidados para o lançamento. O jornal O Liberal representou a Região Norte.

Ao lado dos roteiros paraenses, Manaus também aparece como ponto de destaque na Amazônia. Mas, Belém e as ilhas de Algodoal e Marajó, são consideradas pelos redatores franceses locais especais para turismo. 'Porte d`entrée vers l`Amazônie, point de départ pour des découvertes fabuleuses', diz o Guia Michelin se referindo a Belém como a entrada da Amazônia, o ponto de partida para descobertas fabulosas. A capital paraense aparece com três estrelas, pontuação máxima. São Paulo, a maior cidade do país, tem no Guia somente uma estrela. 'Os franceses apreciam para o turismo muito tudo o que não é parecido com a Europa. Daí o valor atribuído à Amazônia, como ponto turístico excêntrico e exótico', explica Carlos Eduardo Pinho, direto de comunicação da Michelin na América do Sul, que também participou da revisão do Voyager Pratique Brésil. Em Belém, o Guia destaca o Ver-o-Peso, a Feira do Açaí e o Teatro da Paz, com três estrelas. Quando o local recebe uma estrela no Michelin significa que ele é importante, no caso de duas estrelas, vale o desvio e três estrelas vale a viagem. Na visão dos franceses, vale a pena sair da França só para conhecer Belém, o Marajó e a Ilha de Algodoal.

O que mais chama a atenção no Voyager Partique Brésil é justamente o olhar atual do estrangeiro em relação ao Brasil. A cidade de Recife, por exemplo, no coração do nordeste e roteiro muito explorado, recebeu duas estrelas no Guia. Significa que o turista europeu está em busca de novidades. Tanto que o norte dom país é tratado como Amazônia, recheada de locais exóticos e interessantes. Em Belém, os franceses destacam também os pontos históricos e lamentam a falta de hotéis na cidade velha, que eles consideram de grande valor turístico.

Pode apostar: 'la Cuisine du Pará est une des plus raffinées du Brésil'

Os franceses definem a gastronomia paraense como uma das mais refinadas do país. O Guia cita o tacacá, como uma sopa a base de madioca com jambu que anestesia levemente a boca e dá 'um gosto sensual'. A maniçoba, eles chamam de feijoada da Amazônia e o pato no tucupi aparece como o suco da mandioca cozido com o 'canard', pato em francês, carne que também é muito utilizada na culinária francesa. No guia, aparece muito claramente, em alguns locais apontados como interessantes, a influência da cultura francesa. Eles apontam o Paris N`América e o Teatro da Paz, onde chamam a atenção para os lustres em bronze originários da França. Outro fato curioso são as opções de hotéis citados no Guia. Os franceses preferem os locais com algum diferencial. O hotel Le Massillia é definido como um local aconchegante com sabores franceses e o Guia recomenda provar a cozinha do proprietário, que é Francês. O Hotel Grão Pará, no centro de Belém, ganha destaque pela proximidade com o Teatro da Paz. Em Belém, os franceses também destacaram os cenários da Amazônia, o Centro Histórico e a proximidade do Mar, um diferencial em relação à Manaus, que só tem locais com água doce.

A ilha de Algodoal é paraíso na Amazônia

'Um petit coin de paradis'. Como um pequeno canto do paraíso! Assim os franceses que visitaram Algodoal definiram a ilha, localizada a 200 km de Belém e banhada pelo Atlântico. É um dos destaques do Guia, como roteiro de três estrelas e que vale a viagem.

'O redator francês que conheceu a ilha ficou encantado', afirma o diretor de comunicação da Michelin na América do Sul, Carlos Eduardo Pinho. Porque Algodoal e não Salinas, que é um ponto turístico também banhado pelo Atlântico? O diretor explica que o Guia reflete o que os franceses esperam de uma viagem e o valor atribuído a cada cenário. 'O francês vai à praia para descansar e não pra badalar', diz Pinho. Com o perfil de ilha selvagem, Algodoal tem a preferência dos turistas franceses. O Guia cita a praia da princesa, a Lagoa e as piscinas naturais em Fortalezinha. Para reforçar a tranqüilidade do lugar, o redator ressalta a ausência de energia elétrica em Algodoal, antes do ano de 2005. Outro destaque do Michelin é a Ilha do Marajó, como a ilha Fluvio-marítima do planeta, que tem praias e fazendas. O Guia cita os búfalos, os cenários da Amazônia e as belas praias do Marajó.

Guia Michelin é um dos mais respeitados na Europa

O Pratique Brésil é mais um Guia lançado pela Michelin, dentro das coleções Voyager Pratique que estão no mercado europeu há três anos, com 60 títulos, sendo 45 em francês, 20 em espanhol e agora um em português. O Guia é voltado aos europeus, em particular o francês, com interesse de organizar viagens sob medida, de acordo com disponibilidade e condições pessoais. Os viajantes que buscam vivenciar profundamente os locais, com viagens mais baratas, o que possibilita fazer um número maior de roteiros.

O Voyager Pratique Brésil tem 536 páginas, 55 dedicadas a preparação de viagem. Para confeccionar o Guia, as viagens e coletas de dados foram feitas por franceses escolhidos pela Michelin, que mantiveram as identidades no anonimato para evitar influências que possam ameaçar a credibilidade do Guia. Foram visitados dezenas de cidades brasileiras, mas somente 45 selecionadas, das quais somente 9 receberam três estrelas ( Belém, Manaus, Rio de Janeiro, Outro Preto, Paraty, Congonhas do Campo, Olinda, Salvador e Brasília ). Além disso, 10 grandes pontos turísticos de diversas regiões ganharam três estrelas, como por exemplo, O Pantanal, os Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu. Dentro dos Estados, o Guia destacou locais, como a Pinacoteca de São Paulo, o Pelourinho em Salvador e o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba.

Apesar da curiosidade que desperta, o Guia da Michelin foi feita para europeus, em especial os franceses. Para os brasileiros, é interessante notar o novo olhar que o estrangeiro tem do país em relação ao turismo. No nordeste, poucas cidades foram citadas e apenas Salvador recebeu três estrelas. Fortaleza aparece com uma estrela. Alguns roteiros saturados perdem o brilho e outros poucos explorados como a Amazônia passam a despertar maior interesse. Mas, apesar dos elogios aos roteiros exóticos, os franceses não deixam de citar e chamar atenção para o lado desagradável da viagem. O Guia alerta para a falta de preservação de alguns monumentos históricos em Belém, por exemplo. Mesmo com as ponderações naturais dos avisos aos viajantes, o turismo na Amazônia, que é tendência natural, aflora e leva os franceses ao delírio. No texto de apresentação de Belém, o redator do Guia diz: 'Impossible de ne pás ceder aux charmes de Belém'. Uma frase de alguém completamente encantado com a cidade de quase 400 anos, que acaba de ser descoberta.

Comentários
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RAIMUNDA SOFIA LEMOS DA COSTA   |06/05/08
Amei o que os franceses desse guia falaram da nossa linda Amazônia. Sou paraense e amo a minha linda cidade de Belém, as nossas maravilhosas ilhas, cidades históricas, enfim, tudo de bom que temos no Pará. Concordo com eles que os pontos turísticos estão mal cuidados. É muito triste ver a linda praça da República abandonada. A nossa cidade das Mangueiras é bela, mas precisa de muitos cuidados.É salutar saber que os franceses, que possuem alta cultura e refinamento em todos os sentidos, pensam isso do Pará e da Amazônia e muitos brasileiros "babacas" desprezam a nossa região norte e o nosso país que é todo lindo.Parabéns ao nosso Pará e a nossa Amazônia. Viva o Brasil!!!Viva a França!!!
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